terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Clayton Garcia: três anos de saudade!

Foto: Divulgação / Arquivo


O pôr do sol da tarde de 08 de dezembro de 2006 trouxe uma notícia desoladora: Clayton do Nascimento Garcia – sujeito de particular inteligência, poeta e – principalmente – amigo de infância havia sofrido grave acidente que resultou em morte estúpida, horrível, inexplicável – em seu local de trabalho.


Lembro-me de outra tarde, a de 27 de dezembro de 1992, quando vim – juntamente com os meus avós – morar em Vitória de Santo Antão (PE).
Clayton com os seus pais (Virgílio e VivaGarcia) é que deram o primeiro aceno de boas-vindas. 9 meses mais velho que eu, Clayton era introspectivo, uma criatura sitiada.


Recordo-me também que enquanto eu me dava ao luxo de traquinar pelos arredores da igreja, na casa de farinha, na água doce do rio e nos canaviais de
Urucu (hoje, Engenho Veneza), ele – ainda uma criança – era obrigado a, com o estômago vazio, plantar os joelhos para pedir a Deus dias melhores.


Calça rasgada e coronha, sandálias gastas. Perto dele, eu –
suburbano brejeiro – me sentia rei. A infância pobre e o olhar introvertido escondiam uma alma irrequieta, criativa, o que acabou por se revelar em seus primeiros escritos, influenciados pela poética dos textos de Legião Urbana, Kurt Cobain, The Offspring... Titãs.


A leitura e a música eram seu passatempo. Com amigos, da empresa em que trabalhava, formou uma banda chamada “
Loverdose”. Nas horas vagas dava aula de violão e ouvia Red Hot Chilli Peppers. Escreveu crônicas e poemetos. Plantou árvores. Transferiu seu legado a Gabriel – único filho, hoje com 6 anos. Divertiu-se.


Em 2001 fizemos um pacto –
eu, ele e Maria Leite (sua esposa) – escolheríamos, de modo aleatório, temáticas várias para produzirmos, periodicamente, textos em verso. Ainda guardo muita coisa boa daquela época. Mas aí... Clayton se foi e dele nunca mais tive notícias, embora sua poesia viceje, pulse e, em nossos corações, viva!


Poema no mural



Clayton Garcia



Onde está a poesia?

A poesia pula o muro

Corre, corre, noite e dia.



A poesia está na fome

Da criança de rua,

No mendigo que há muito não come.



A poesia está na essência do nada

No tiroteio da esquina

Na triste poeira da estrada.



Lá na fila do aposentado

Na menina que adoece

no porquê desmotivado.



Por que tanto procurar?
Quê há de tanto esconder?
Um dia há de aparecer!



Essa eterna vadia
Corre noite, corre dia
Pula o muro, a poesia.



In: Pingos de poesia
Poema de 1996



7 comentários:

  1. Menino, tu me fizesses chorar lembrando aqueles dias de produção literária...ah, quantas boas lembranças tenho do meu anjinho Clayton Garcia...ele sim, um anjo que por alguns dias residiu por aqui...quanto privilégios tivemos por ter estado ao seu lado...sem palavras pelo teu gesto amigo, que DEUS continue a abençoar tua família porque vocês três(quatro com o que vi chegar)são também lindos anjos...jbxs para os três...

    Maria Leite

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  2. LEMBRO-ME Q A ÚLTIMA VEZ Q FALEI COM CLAYTON,FOI EM OUTUBRO DE 2006,(ALGUNS MESES ANTES DELE NOS DEIXAR),JÁ FAZIA UM BOM TEMPO QUE NÃO O VIA.MAS O QUE GUARDO DELE,SÃO BOAS LEMBRANÇAS,QDO ELE VINHA QUI EM CASA CONVERSAR C A GENTE E MTAS VEZES FICAVAM VCS 2 AQUI "PERTURBANDO",JUNTAMENTE COM ZÉ...E TANTAS OUTRAS LEMBRANÇAS!!!MTO BOM RELEMBRAR...QUE DEUS NOS ABENÇOE!!!!

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  3. Marcelo/Maria,
    Eu ainda sinto-me em estado de choque quando penso no falecimento tão prematuro desse grande amigo e Homem de Cultura.
    Voltava eu de uma viagem e ao entrar no msn uma colega me deu essa notícia terrível. Pensei em Maria, sofri por ela e por Gabriel a quem ele tanto amava.
    Perdoem-me, nem tenho palavras...
    Deus abençoe a vocês!!!

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  4. sinto saudades eternas daquele que cuidou de mim quando chorei , me ensinou tanto sobre tudo . meu único e eterno irmão; que sempre estará em minha memoria...... meus pais e eu sentimos muito a falta que ele nos faz , mas sempre na esperança de um dia o reencontrar..... descanse em paz meu grande herói.......

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  5. saudades daquele que me ensinou sobre tudo ; saudades imensas do meu único irmão o qual deu tanto orgulho a nossa família e agora sentimos uma falta bem maior que todos os seus feitos.....descanse em paz irmão e espero um dia te encontrar .......

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