domingo, 31 de agosto de 2014

Paulo?!



Me surpreendo comigo. Como sou dinâmico! Como é possível mudar, tão rapidamente, uma avaliação?! Mas é que sou professor. E na sala de aula estamos sempre propensos a trocar de opinião. E que bom! Optei como desculpa, então, dizer que a certeza é inimiga da inteligência e do bom senso.

Confesso que meu primeiro palpite esteve contaminado pela mágoa de ouvir a propaganda enganosa de que nós - em Pernambuco - temos o modelo de escola pública a ser seguido pelo restante do Brasil. E isto não é verdade. Porque é muito blache, engodo e rouge em faces tão descaradamente pálidas.

Digo isto, de dentro. Afirmo com a propriedade de quem dispõe de razoável conhecimento sobre como a rede de ensino em nosso Estado funciona: gratificações - há muito - congeladas, GREs aparelhadas pelo nepótico e déspota viés de bajuladores e despreparados, de quem não desejo ver renovado o 'status quo' por mais quatro anos.

Mas preciso confessar, também, que tenho, sem sucesso, me esforçado para enxergar em Armando Monteiro Neto a tal alternativa para o Novo Pernambuco. Paradoxalmente ao slogan de campanha, os movimentos do usineiro 'falido' só tèm embaçado ainda mais a minha vista, ao agregar apoiadores esquizofrênicos, oportunistas... parasitas.

Ante paisagem tão nebulosa, não enxergo - por ora - possibilidade outra, que não continuar a habitar o percentual de eleitores indecisos, desejando - contudo - que a visibilidade melhore e que uma nova forma de fazer política nasça do nosso discernimento, enquanto eleitor, em não permitir que as nossas decisões sejam movidas pelo nosso particular interesse. Se nem por paixão e amor, tampouco pelo rancor e o ódio.

sábado, 30 de agosto de 2014

Ação do NEGRa mira visão sexista a partir de obra de Machado de Assis


Foto: Heloísio Henrique / Divulgação

Entre os dias 27 e 29 de agosto, estudantes do ensino médio estiveram reunidos no auditório do NEGRa (Núcleo de Estudos de Gênero e Raça, da EREM Bezerros), a fim de debater sobre condutas sexistas - tomando como objeto de análise a personagem Capitu, no romance 'Dom Casmurro' - do escritor realista Machado de Assis.

A atividade multidisciplinar contou a parceria de educadores de diversas áreas do conhecimento, e - sob a orientação do professor Marcelo José, buscou medir a capacidade argumentativa de educandos da rede pública estadual de ensino, por intermédio do uso adequado dos modalizadores do discurso.

O Júri Simulado envolveu um público aproximado de 400 estudantes e se soma a outras ações desenvolvidas, desde 2013, pelo NEGRa - cuja atuação será apresentada no Seminário Estadual de Avaliação dos Núcleos de Estudos de Gênero e Enfrentamento da Violência contra a Mulher, a ocorrer entre os dias 02 e 03 de setembro, no Sesc - Garanhuns.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Armando


Este é o futuro governador de meu Estado - Pernambuco. É possível que me engane, mas estou propenso a utilizar modalizadores discursivos indicadores de certeza, pelas razões que explicito, abaixo:

1º) A despeito dos avanços, há certa sede por oxigenação no poder - especialmente em servidores públicos, como eu;

2º) Sua biografia, apesar dos senões, não foi inventada;

3º) Seus concorrentes têm se mostrado pouco competitivos;

4º) A ausência de Eduardo acabou por sucumbir possíveis acordos que pudessem fortalecer a candidatura de Paulo Câmara - seu apadrinhado, que - estranhamente - tem se agarrado à sua imagem, apenas pela manutenção no poder. Portanto, não tem oferecido riscos;

5º) Ah... prefeitos, vereadores e deputados (cabos eleitorais), ainda que encarcerados pela camisa de força das alianças pré-campanha, darão um jeito de pular de canoa. Afinal, política é troca de favores. É um jogo. Mais que isso, é negócio.

E negócio - amigo, é negócio! Amigos à parte!

Eduardo


Antes que digam que este espaço virou obituário, devo dizer que apenas as tragédias tem acordado minha motivação para escrever. Fazer o quê?! O trágico desaparecimento de Eduardo Campos foi mesmo impactante. Nós, os pernambucanos - especialmente, estamos em luto. Preciso demarcar - aqui - que, embora não fosse dele o meu voto, aborreceu-me muito o fato de aquele voo ter sepultado a sua alegria e a sua vontade de estar com aqueles que amava.

Mas a vida segue. Inexplicavelmente, mas segue. E é isso!


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Ariano



É preciso falar algo sobre Ariano.
 
Mas, até agora, não sei o que dizer.

domingo, 20 de julho de 2014

Rubem Alves


Depois de tanto tempo em longas férias deste espaço, o vazio criado pela morte de Rubem Alves me motivou a escrever algo. Ainda que sabendo o meu lugar, gostaria mesmo, e muito, era de falar e escrever como ele, em agradecimento a tanta coisa boa que a sua obra e o seu exemplo nos proporcionaram.

A sua mansidão era sempre um alento para os espíritos alvoroçados. Sua poesia simples, capaz de proezas. Ouvir os seus conselhos e auscultar as suas crônicas sempre me serviram como remédios prontos para superar a mesquinhez de uma humanidade entorpecida e aficionada pelas futilidades postas na ordem do dia.

Obrigado, Rubem!

sábado, 26 de abril de 2014

Assista ao curta 'Cola Digital', produzido por estudantes da EREM Bezerros



Assista ao curta-metragem realizado pelos estudantes da EREM BEZERROS, na oficina de Mídias Móveis - ministrada pelo cineasta MARLOM MEIRELLES

Através de ação semelhante estão sendo realizadas 10 oficinas audiovisuais em diversos municípios de nosso Estado (Pernambuco), promovendo uma capacitação para a produção de obras em novos formatos e incitando uma reflexão sobre o audiovisual contemporâneo.

O projeto conta com o patrocínio do Funcultura, da Fundarpe, da Secult e do Governo de Pernambuco.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Cineasta ensina a estudantes de escola pública como utilizar o 'celular' na realização de curtas e documentários


A EREM BEZERROS é, mais uma vez, notícia no PORTAL DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E ESPORTES DO ESTADO DE PERNAMBUCO.

O cineasta MARLOM MEIRELLES ministra oficina audiovisual para estudantes da EREM BEZERROS, até hoje (sexta-feira, 25/04) para um público de 25 estudantes.

Intitulada MÍDIAS MÓVEIS, a oficina é fruto de uma articulação do NEGRa (Núcleo de Estudos de Gênero e Raça) e objetiva, entre outras coisas, à educação do olhar através de uma simples câmera de celular. MUITO BOM!

Clique aqui e saiba mais sobre a publicação da SEEE/PE!

Confira, também, (clicando aqui) reportagem de Isan Braga - da Rádio SEI (Secretaria de Imprensa do Governo do Estado de Pernambuco) e entrevista do prof. Marcelo José. (Duração: 2' 15")

domingo, 30 de março de 2014

Café no NEGRa! recebe cineasta Marlom Meirelles e é notícia no portal da SEE - PE


EREM de Bezerros realiza ações em comemoração ao mês da mulher

As ações foram desenvolvidas pelo Núcleo de Estudo de Gêneros e Raça (NEGRa) da unidade - no último dia 24 de março e marcou, também, a inauguração da sala que servirá às atividades do NEGRa.

Estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) de Bezerros, através do Núcleo de Estudo de Gêneros e Raça (NEGRa), aproveitou o mês dedicado a todas as mulheres e realizou ações voltadas para a reflexão sobre o Dia Internacional das Mulheres, que é comemorado no dia 08 de março. Flores e homenagens deram o ponta pé inicial às ações desenvolvidas pelo núcleo.

Dentre as ações estava o Cine NEGRa, onde foi apresentada uma seção do média-metragem, “Entre Mulheres” de Marlom Meirelles. Os estudantes também puderam participar de um debate com o cineasta, que falou sobre sua experiência de retratar através da sétima arte a temática “gênero”. No debate participaram representantes de turmas e monitores de Língua Portuguesa, além de professores da unidade de ensino.

Outra ação que teve início neste mês da mulher foi o “Café no NEGRa!”, projeto que tem como objetivo trazer personalidades com conhecimento sobre as questões de gênero e enfrentamento à violência contra a mulher.

Confira mais, no portal da Secretaria Estadual de Educação e Esportes de Pernambuco, clicando aqui.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Revista trará o SARAU DE CHICO como um dos destaques no combate ao preconceito

Foto: Divulgação / SARAU DE CHICO

A Secretaria da Mulher está organizando revista sobre as ações que tem por objetivo o fortalecimento da consciência crítica a respeito da igualdade de gênero em nosso Estado. Esta semana, fui procurado pela agência que assessora a parte de comunicação da pasta da Drª Cristina Buarque, a fim de que pudesse conceder entrevista sobre as atividades implementadas no NEGRa - Núcleo de Estudos de Gênero e Raça da EREM Bezerros, assim como sobre o trabalho desenvolvido pelo SARAU DE CHICO. Confira!

Oficina Comunicação - O que é o NEGRa?
Marcelo José - O NEGRa, Núcleo de Estudos de Gênero e Raça da Escola de Referência em Ensino Médio de Bezerros é a unidade promotora de ações de formação, pesquisa e extensão, objetivando o desenvolvimento de práxis comprometidas com a transformação social, a partir da promoção dos direitos da mulher, do negro, do indígena e da igualdade entre os sexos. Foi formalmente instituído em nossa escola no ano de 2012, através de um protocolo de intenções - numa parceria entre a Secretaria da Mulher do Estado de Pernambuco e a Secretaria Executiva de Educação Profissional. O SARAU DE CHICO representa - em 30 de outubro de 2013 - o marco que introduziu, em nossa unidade escolar, as ações do NEGRa.

Oficina Comunicação - Como surgiu a ideia de criar o projeto 'Sarau de Chico'?
Marcelo José - O SARAU DE CHICO é fruto de pesquisa e análise de campo que ajudou a subsidiar trabalho monográfico apresentado ao Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, visando à obtenção do título de especialista em Linguística e Ensino do Português (2005 – 2007), sob a orientação do Prof. Dr. Aldo José Rodrigues de Lima.

Oficina Comunicação - Por que usar as músicas de Chico Buarque?
Marcelo José - Na condição de coordenador do Núcleo de Estudos de Gênero e Raça (NEGRa), na EREM Bezerros, e debruçado sobre o trabalho monográfico que teve como foco em seu primeiro momento a 'leitura', apoiamo-nos no cancioneiro de Chico Buarque de Hollanda, por entender ser a sua música um instrumento eficaz para a reflexão sobre o conceito de gênero, assim como sobre a relação entre natureza e cultura.

Oficina Comunicação - Qual o objetivo do projeto?
Marcelo José - Esta ação analisa a interação de estudantes do Ensino Médio de uma escola pública da rede estadual (EREM Bezerros) com as canções de Chico Buarque, abordando – necessariamente – temáticas propostas pela Secretaria da Mulher do Governo do Estado de Pernambuco, propondo-se a apresentar caminhos em face da leitura literária na escola, assim como estimular e fortalecer a produção de consciência crítica sobre as relações de gênero, contribuindo para a promoção dos direitos das mulheres em sua diversidade.

Oficina Comunicação - Desde quando o projeto existe?
Marcelo José - Entre os anos 2005 e 2007, por ocasião do curso de pós-graduação (lato sensu) LINGUÍSTICA E ENSINO DO PORTUGUÊS, na UFPE, defendi o seguinte projeto monográfico: A CANÇÃO COMO PRÁTICA SOCIAL DE LEITURA NA ESCOLA: CHICO BUARQUE DE HOLLANDA. Desde então, já se vão 03 saraus por onde atuei enquanto professor de Língua Portuguesa (RECITAL LÍTERO-MUSICAL DO SESC - 2006, SARAU DA GUIOMAR - 2008 e mais recentemente em 2013, com o SARAU DE CHICO).

Oficina Comunicação - Onde acontecem as apresentações?
Marcelo José - Já realizamos apresentações para um público estimado de 2 mil pessoas. Estudantes, educadores, pais e responsáveis são - em grande maioria - os expectadores do SARAU DE CHICO. Universidades, feiras literárias e formações para professores serviram, até aqui, de espaço para as performances de nosso grupo.

Oficina Comunicação - Quantas pessoas participam?
Marcelo José - No SARAU a participação se deu até agora por adesão. E a ideia é essa. Não cabe imposição à leitura. É, portanto, o que temos buscado instituir: estimulando o 'paladar' dos nossos estudantes para um letramento literário que proporcione alegria, prazer e, a reboque disto, reflexão. Hoje, alguns dos nossos integrantes já não estão mais na escola. Concluíram o Ensino Médio. Mas asseguro que o SARAU serviu de academia ao exercício de, diretamente 50 jovens muito talentosos, que do teclado ao violão, do pandeiro ao violino, do clarinete ao saxofone intuíram em nossa comunidade escolar o gosto pela poesia de Chico.

Oficina Comunicação - Como foi a receptividade do projeto?
Marcelo José - Em tempos de canções cujo enredo é "vou dá-lhe de cano de ferro" e "rapariga é você", apresentar a poesia de CHICO BUARQUE pode parecer insulto. E num primeiro momento até pareceu. Teve quem, em nome de um ecletismo sem sentido, olhasse para o projeto com olhar de soslaio. Talvez continue a olhar. É legítimo e democrático que tenha liberdade para assim se comportar. Mas é tarefa do educador abrir caminhos diversos do lugar comum, sobretudo e em especial aqueles profissionais que têm como encargo a tarefa de estimular a leitura de textos e o compromisso de fazer com que estudantes consigam interpretar o mundo. É fundamentado, pois, na TEORIA DA RECEPÇÃO de Wolfgang Iser e Hans Robert Jauss - estudiosos que analisam a interação entre o texto literário e o leitor, que a proposta de formação encampada pelo SARAU DE CHICO se propõe.

Oficina Comunicação - Ele é apresentado apenas em Bezerros?
Marcelo José - Não. É uma atividade formativa que se pretende como ação itinerante. A minha ideia é a de levar esta proposta para o maior número de pessoas. Atualmente, estamos envolvidos em uma proposta que possibilite conexões entre o nosso calendário de ações e a programação de outros núcleos. A novidade é que os nossos estudantes, em particular os egressos e que já alcançaram a maioridade, possam interagir com estudantes e pesquisadores de outros estabelecimentos de ensino. Como atuo, também, no Ensino Superior e integro a equipe que coordena o Núcleo de Estudos de Gênero e Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Faculdade Escritor Osman Lins (Facol), em Vitória de Santo Antão, tenho em mente consolidar o intercâmbio e a troca de experiências com êxito. Suponho que será enriquecedor e que a nossa sociedade civil terá à sua disposição atividades que promovam a valorização e o respeito para com todos.

Oficina Comunicação - Você é o coordenador do projeto?
Marcelo José - Sim. Na verdade, se este é o nome, diria que sim. Represento a comunidade escolar, através do NEGRa (Núcleo de Estudos de Gênero e Raça da EREM Bezerros) nas formações realizadas no âmbito da Secretaria da Mulher do Estado de Pernambuco. Em parceria com educandos e educadores, buscamos a materialização das teorias - nesses encontros - fomentadas. Quanto ao SARAU DE CHICO, por ser objeto meu de estudo já há alguns anos, coloquei-o em pauta e fizemos dele nossa primeira ação do núcleo, em nossa escola. Mas para isso acontecer, foi necessário - além de toda energia dos mais de 50 estudantes diretamente envolvidos - a colaboração de nossa valorosa equipe de professores, com destaque especial para Adalberto Monteiro, Antônio Simões, Raimundo Silvano, Josemeri Gomes, Rosimere Lima, Missimere Carvalho, Dalka Carvalho, Débora Bruce, Djair Batista - entre outros. É preciso evidenciar, aqui, também, o apoio da equipe gestora, por intermédio das professoras Êda Cabral e Aparecida Xavier.

Oficina Comunicação - O projeto é voltado apenas para o público feminino?
Marcelo José - Nosso objetivo é contribuir para a prática de condutas sociais que enfrentem a discriminação, a violência, o preconceito. Deste modo, é uma escolha que não permite nem cabe segregar por gênero.