O SARAU DE CHICO constitue-se como a primeira ação do NEGRa - Núcleo de Estudos de Gênero e Raça da EREM Bezerros. A canção 'PEDRO PEDREIRO', do poeta CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, e interpretada pela estudante MORGANNA BERNARDO - em 30 de outubro de 2013, retrata a melancolia de Pedro, que de tão acomodado, vê a vida escorrer por entre os dedos e passar.
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Pedro pedreiro, SARAU DE CHICO
O SARAU DE CHICO constitue-se como a primeira ação do NEGRa - Núcleo de Estudos de Gênero e Raça da EREM Bezerros. A canção 'PEDRO PEDREIRO', do poeta CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, e interpretada pela estudante MORGANNA BERNARDO - em 30 de outubro de 2013, retrata a melancolia de Pedro, que de tão acomodado, vê a vida escorrer por entre os dedos e passar.
domingo, 29 de maio de 2011
Percurso Livre, com Machado de Assis tem até literatura de cordel em Barra de Guabiraba
Hoje rapaz de grande fama
Moço forte, um guerreiro
Vai pedir vossa licença
Prá contar seu enredo
Machadinho como era chamado
Um ícone com mui segredo.
Nascido no Rio de Janeiro
Em 1839
Morava com seu pai Francisco
Criança de origem pobre
Dura foi a sua infância
Mesmo assim mostrai ser nobre.
Grande Machado de Assis!
Dramaturgo e cronista
Foi um poeta, e grande crítico
Romancista e jornalista
Era de tudo um pouco
Até mesmo um ensaísta
Em 1851
Seu pai veio a falecer
Sendo uma Criança humilde
Até doce foi vender
Na escola São Cristovam
Pra poder sobreviver
Veja só que coisa bela
Inspira-se em um trabalho
Que foi o poema “Ela”
Foi coisa de dar inveja
A livraria Paula Brito
Estava a escolher
Novos talentos da época
Para livraria crescer
Machado com sua obra
Fez a cultura poética alvorecer
Seu tempo foi muito fértil
Aos leitores não deu desgosto
Nasceu em l939
E morreu em 1908
Na cidade Carioca
Onde viveu com muito gosto.
A Cidade Maravilhosa
Escolhida pelo escritor
Tem seu lindo Corcovado
Com o Cristo Redentor
Suas praias e carnavais
Onde ele se inspirou.
domingo, 29 de agosto de 2010
Nossa Língua Brasileira!
quarta-feira, 23 de junho de 2010
José Saramago: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer".
Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.
Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira".
Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava...
No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava.
Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?".
Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas. Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir.
Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranquilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza".
Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer".
Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprias filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Robinho, O estuprador
Foto: Sean Dempsey/AP
Kanavillil Rajagopalan – professor de Semântica e Pragmática da Unicamp, costuma dizer que 'designar' e 'caracterizar' são ações indissociáveis, uma vez que a gramática tradicional prega a necessidade de identificar primeiro o sujeito da frase para em seguida predicá-lo. RAJA, como é mais popularmente chamado no meio acadêmico, serve-se, enfim, de exemplo trazido da sintaxe, para apoiar o seu argumento, constituído em amostras por vezes metonímicas, para afirmar ser preciso, primeiro, nomear, para então dizer algo a respeito do objeto no mundo assim designado.
Apoiando-me nos argumentos do indiano, em minhas peripécias – neste campo de estudo da linguagem – busquei lançar um olhar crítico sobre os processos de nomeação impressos pela mídia, refletindo a respeito do discurso jornalístico que, carregado de ideologias discutíveis, tomam partido ao dar uma notícia, caminhando, portanto, na contramão do direito lingüístico e dos princípios éticos que nada têm a ver com generalizações, ideias estereotipadas e tendenciosas.
Medito, então, sobre a necessidade de uma mídia isenta e mais responsável, procurando – no entanto – o nascedouro desse caos da comunicação e da linguagem.
De acordo com o linguista e ativista norte-americano Noam Chomsky, a escola deve começar a oferecer o exemplo para que o eco de sua voz provoque a reflexão e o exercício da ética. Transformar atitudes e burilar condutas não é tarefa fácil e que se proceda em um estalar de dedos, também não deve ser feito de maneira unilateral, porque ensinar exige, segundo Paulo Freire – em sua Pedagogia da Autonomia, disponibilidade para o diálogo. Para ele, o indivíduo que se abre para o mundo e aos outros introduz com seu gesto uma relação dialógica, relação essa, infelizmente, cada vez mais apagada em nossas carteiras escolares.
Por esta razão, é que temos redações abarrotadas de prostitutos da comunicação midiática. A política e o esporte são terrenos férteis que abrigam "profissionais" da linguagem sempre a serviço de interesses pouco republicanos. Chamam Ronaldo Fenômeno – quando sabemos que ele não é tão fenômeno assim. Barack Obama agora personificou-se em messias no dizer da imprensa global. Osama Bin Laden era, a pouco tempo, para nós ocidentais, sinônimo de terror, enquanto para milhares de mulçumanos ele representa Alá com seu poder e justiça.
O texto jornalístico – em grande parte – parece mais uma peça de folclore; deixou, portanto, de assumir as suas reais prerrogativas. No entanto, embalado nesse espírito, para não destoar, até que considero fascinante – para não dizer tentadora – essa possibilidade da escrita, desde que utilizada criativamente e para fins que se distancie da predatória lógica jornalística que tem a comunicação como instrumento para formar opiniões equivocadas e influenciar dolosamente cabeças vazias.
E já que não falei em samba, devo ao menos – ao assumir o compromisso de incorporar designações ao texto – de concluí-lo falando em futebol para dizer que, Garrincha – O anjo das pernas tortas; Nilton Santos – A enciclopédia; o Rei Pelé; Jairzinho – O furacão; Ademir da Guia – O divino; Rivelino – Patada atômica; Zico – Galinho de Quintino; Roberto Dinamite; Dadá Maravilha, Edmundo – O animal; Romário – O gênio da pequena área, entre tantos outros belos jogadores, poderiam formar um time imbatível, seja pela sofisticação e técnica, seja pela alegria e futebol mitológico que convenceram milhares a amar esse esporte.
Mas os tempos são outros, e não há dúvida de que ao lado de Adriano, Kaká e Ronaldinho Gaúcho a bola da vez é Robinho – O estuprador. E nem pensem que aqui é uma alusão maldosa ao escândalo recente com a jovem inglesa em boate de Leeds. Refiro-me mesmo é ao menino da Vila, sacudindo o esqueleto, defenestrando a defesa itálica, chamando Pirlo e Zambrotta para dançar, desvirginando espaços, levando ao êxtase, encaçapando, entrando com bola e tudo.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Que língua é essa?!
Esse acordo, no entanto, é meramente ortográfico; portanto, restringe-se apenas à língua escrita, não comprometendo nenhum aspecto da língua falada.
Com essa unificação de grafias, espera-se que o português – hoje falado por aproximadamente 230 milhões de pessoas em todo o mundo e língua oficial de trabalho em mais de uma dúzia de organizações mundiais – ganhe ainda mais importância nos fóruns internacionais e tenha o seu uso facilitado por editoras e instituições de vários continentes. Sabe como é!... em tempos de globalização, não tenhamos dúvidas: é mais mercantilismo do que qualquer outra coisa.
O Novo Acordo, além de mudar algumas regras para o hífen, que serão mais claras, e abolir o trema (a meu ver, de forma equivocada), volta a incorporar, ao alfabeto português, as letras K, W e Y, até então consideradas estrangeiras. O acento diferencial também foi suprimido na maioria das palavras homógrafas – coisinha também indigesta.
O curioso é que certas palavras proparoxítonas terão como válida uma dupla grafia, a exemplo de econômico e económico, conforme queira se pronunciar da forma brasileira ou da lusitana. Também caem alguns acentos, como o das palavras vôo (agora voo) e estréia (estreia).
Diante de tais novidades, é normal que se leve um período para incorporá-las à rotina. Também convém imaginar que ainda são escassas as publicações (gramáticas e dicionários) de referência completamente atualizadas com as novas regras. É preciso dar tempo para que essa transição flua naturalmente.
MUDANÇAS MAIS SIGNIFICATIVAS:
+ Quando o segundo elemento começa por H, usa-se hífen: anti-higiênico, co-herdeiro, neo-helênico, super-homem. (Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm os prefixos DES e IN nas quais o segundo elemento perdeu o H inicial: desumano, inábil).
+ O hífen não é mais usado em palavras formadas de prefixo ou falso prefixo terminado em vogal e seguido de palavra iniciada por R ou S. Com o acordo, as palavras formadas dessa maneira são grafadas sem hífen, sendo essas consoantes dobradas: antessala, autorretrato, antissocial, contrassenso, ultrassonografia, suprarrenal.
+ O hífen também não é mais usado em palavras formadas de prefixo ou falso prefixo terminado em vogal e acompanhado de palavra iniciada por vogal diferente, o que uniformiza várias exceções antes existentes. Deve-se grafar, portanto: antiaéreo, antiamericano, autoajuda, infraestrutura, neoimpressionista.
+ Uma dúvida muito comum era a divisão silábica na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que havia um hífen ou mais, se a partição coincidisse com o final de um dos elementos ou membros. Pronto. Agora acabou! Pede-se que, por clareza gráfica, repita-se o hífen no início da linha imediata.
+ Acentuação dos verbos com QU e GU no radical vão para o espaço. Assim, além de perderem o trema, os verbos ARGUIR e REDARGUIR e suas flexões não mais receberão acento agudo, embora mantenham a tonicidade no U.
A decorar regras, é muito mais negócio lamber, mastigar, deglutir... refestelar-se na poesia de Cida Pedrosa:
Contrarregras
tremo viver sem trema
comer linguiça não terá o mesmo gostinho
vou demorar a urdir ideias
a dormir tranquila
voo sem acento
sinto enjoo
(morderam-nos a língua e cuspiram em cima)



