Mostrando postagens com marcador Cartão-Postal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cartão-Postal. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Juçaral: sinestesia e imagem

O pôr do sol de Juçaral é lindo / Foto: Divulgação


Ainda hoje eu me lembro do cheiro de café torrado que vinha lá da cozinha de minha avó. Ainda hoje eu me lembro da escola, da igreja, da estrada. Ainda hoje eu me lembro das pessoas, dos costumes, das crendices e dos cultos ministrados ao ar livre para o nosso Senhor. Ainda hoje eu me lembro da fé daquela gente, do circo uma vez por ano, do baile no mercado, de Pedro Zumba, de Mané Pataca, de Lanzudo e da luta que corria solta nos ombros dos "curaus" que iam e viam de Sampa entre a entresafra da cana-de-açúcar e o trabalho no concreto voraz.


Ahhh... como eu me lembro. Mas parece que pior do que lembrar-se é ter saudade!


quarta-feira, 8 de abril de 2009

VÍDEO: Do "piscinão da bosta", mototaxista reclama e pede clemência às "autoridades"


Confira o vídeo em que o mototaxista Valmir solicita, do poder público, medida urgente para amenizar o sofrimento dos moradores do entorno do Beco do Borges.


Posicione-se! Deixe você também, aqui, o seu comentário - repudiando esse descaso!


"Piscinão da merda", no Beco do Borges: ninguém fala, também ninguém respira

Assista ao vídeo e conheça os atrativos desse lindo balneário!


Imagens amadoras de minha lente Carl Zeiss


sábado, 4 de abril de 2009

Parceria público-privada entre Prefeitura e Posto Cidade traz rampa de motocross

Fotos: Marcelo De Marco

Em parceria público-privada (PPP) inédita a Prefeitura de Vitória de Santo Antão e o Posto Cidade (bandeira DISLUB) constroem, em plena Av. Mariana Amália, rampa com a finalidade de enriquecer ainda mais o desporto da motovelocidade no município das Tabocas. O Posto Cidade incumbiu-se da execução da obra, mas preferiu não informar valores. Já a Prefeitura do Sr. Elias Alves de Lira (DEM), através da Secretaria de Obras, entra para a história por conceder licença para a construção do 1º circuito ao ar livre de motocross em nossa cidade.

Freestyle, para mototaxista nenhum botar defeito

Na verdade, a modalidade do motocross a ser beneficiada com a construção da rampa é o freestyle motocross (FMX), desporto relativamente novo – o que evidencia ainda mais o caráter de vanguarda e o ineditismo da medida na Terra do Rolão de Mortadela e da Cachaça. Não se trata de corrida. Tem a ver, apenas, em executar manobras acrobáticas enquanto salta de moto de motocross. O vencedor é escolhido por juízes que avaliam o estilo e performance dos pilotos, o nível de dificuldade da manobra, melhor uso do percurso e reação dos expectadores.

Rampa é aprovada, com ressalvas, no teste do Inmetro: pedestre
usa contrapeso para se equilibrar. Faltam ainda as chamadas
ranhuras (groove) para dar mais aderência nos períodos de chuva

As competições de motocross são geralmente realizadas em pistas fechadas com distâncias que podem chegar a 1,5 Km. Essas vias incorporam, muitas vezes, características naturais do terreno com quantidades variadas de saltos, costelas e curvas. Entretanto, sentido a necessidade de um terreno mais favorável para a prática desse esporte, é que a direção do Posto Cidade teve a feliz iniciativa de construir a rampa – em concreto – que, aqui para nós, proporcionará um espetáculo à parte de imagens. Possibilitando ao expectador visualizar o esforço dos pilotos em ultrapassar seus limites.

Pista de freestyle recebe últimos retoques. Ainda não
foi confirmada a presença de Lula à festa de inauguração

Realmente, é de tirar o chapéu! Está ficando uma coisa linda! Dá gosto de se ver! Segundo mototaxistas de plantão que fazem ponto no próprio Posto Cidade, que não quiseram se identificar apenas por razões de puro e mero anonimato, a ideia é de dar mais propulsão à motocicleta no momento em que elas forem chegando para abastecer ou até mesmo estacionar. De fato, não se pode negar que é o empresariado de Vitória pensando GRANDE em conjunto com o Governo de Todos (DEM-PR), proporcionando, portanto, opções de lazer a um tipo de público chegado à adrenalina que só esse esporte radical provoca.

É coisa mesmo de primeiríssimo mundo! Capa de revista! Viva Vitória!

terça-feira, 10 de março de 2009

Cartão-Postal nº 3: Macacos me mordam! Outro poste? Não acredito!


Fotos: Marcelo De Marco

O poeta municipal
discute com o poeta estadual
qual deles é capaz de bater o poeta federal.

Enquanto isso o poeta federal
tira ouro do nariz.

Este poema – Política Literária – de Carlos Drummond de Andrade foi oferecido ao poeta pernambucano Manuel Bandeira. Tem a ver com poética, com constituição literária, com vaidades e gênios. Entretanto, se a mim fosse dada a liberdade de substituir a palavra “poeta”, poria “político”. Porque da mesmíssima forma, político enviesa, esfarrapa, cantarola, desconversa.

Para fugir à responsabilidade, políticos provincianos dão aos problemas status Federal. Porque sabe que, mais distantes, a cúpula do Planalto não tem como conhecer todos os brasis. É preciso, muitas vezes, que a grande imprensa descortine, aponte e denuncie improbidades administrativas. O município de Manari (PE) é um exemplo recente.

Reconheço, então, que sou uma voz rouca a vagar no deserto. E embora tendo algo a dizer, disponho de poucos interlocutores. Nossas principais forças políticas – objetivamente, aqui em Vitória – sofrem de patologia grave: semianalfabrutismo metastático. Pior, elas nem sabem, e ainda que soubessem interpretariam a enfermidade como elogio numa vida cega, que ainda assim, segue.

Mesmo assim, cometo a audácia de pregar para poucos, desejando que esses poucos multipliquem, reforcem e aperfeiçoem uma ideia aqui dita e lançada. Posiciono-me sempre que vejo um absurdo ou arbitrariedade sendo cometidos em minha cidade. Não ligo para os muxoxos, para as apatias – tampouco para a crítica imbecilizada que tenta desqualificar minhas credenciais de cidadão irrequieto.

Não faz muito tempo, delatei – aqui – um poste plantando no meio da rua a atrapalhar o trânsito da Travessa 1º Maio. Até brinquei, parafraseando um texto do poeta de Itabira. Mas não teve jeito. Nossas “representações” políticas embeveceram-se à luz da ribalta e, tapadas, ignoram as soluções para os problemas mais simples da nossa tão complicada cidade.

Os loteamentos José de Lemos e Colinas Canadá têm sido, realmente, um prato variado e cheio – capaz de causar indigestão. Existe lá, no meio de uma das vias, um monumento construído em ferro e concreto armado – descaradamente, um outro poste – onde a diversão (às escuras, porque não há iluminação) é garantida. De sua casa na paralela Rua da Concentração, Jaqueline Santos, 19, presencia assaltos, e queixa-se.

José Quirino e a esposa, Dona Mª José – rezingam, lamentam e não se conformam com a conta de energia na mão que cobra taxa de iluminação pública. Coincidentemente, no momento em que os fotografo, o carro da concessionária de energia elétrica passeia pelo bairro munido de escadas e alicates, caçando “macacos” e “gatos” só para proteger o seu patrimônio. Enquanto isso, o mais sublime dos patrimônios: a honra e a dignidade do cidadão comum são “objetos” dilapidados.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Cartão-Postal nº 2: Há 9 anos, um rato por dia

Fotos: Marcelo De Marco

A Companhia Pernambucana de Saneamento – Compesa foi ágil ao consertar o que quebrou. Hoje, foi possível ver homens trabalhando no reparo asfáltico da Rua Rui Barbosa, no Centro. Contudo, é de se questionar – em visita a bairros periféricos de Vitória de Santo Antão – a dicotomia de tratamento e o porquê da total inobservância ao direito primário que garante saneamento básico a todos os cidadãos.

Na tentativa de interligar o esgoto à rede coletora da Compesa, as “empresas de elevação” destruíram as ruas, interditaram e trouxeram o transtorno. Fizeram um serviço mal feito, sujo e que deixou como herança criações inteiras de mosquitos, ratos e baratas: transmissores potenciais de doenças que passeiam nas portas das casas pelos esgotos a céu aberto.

Vale dizer que os males relacionados à precariedade do saneamento básico são muitos. Eles podem ser transmitidos por meio de fezes (diarréia e hepatite A), por meio de inseto vetor (malária e dengue), por meio do contado com a água (leptospirose) e podem estar relacionados à higiene (micoses).

É preciso – então, sensibilizar a classe dirigente e incutir nas pessoas que o saneamento básico não se trata apenas de saúde pública. O não abastecimento de água potável, a falta de esgotamento sanitário e a ausência de uma coleta de lixo sistemática configuram-se como injustiça social. Possuir esgoto tratado é, portanto, uma questão de inclusão.

Mas, já não há dúvida de que a mera desobstrução de bueiros e as ações subterrâneas – que visam resolver saneamentos inadequados – são obras, que embora estruturantes, mantêm-se fora da agenda e à margem do organograma das políticas públicas – de um modo geral – por oferecerem pouca visibilidade a governantes, em grande parte, descomprometidos com o bem-estar dos cidadãos.

Teresa Cristina Tavares, 41, moradora da Rua Paraguassu, no Alto José Leal, queixa-se, diuturnamente, do mau cheiro e das muriçocas. Segundo ela, é preciso colocar 2 litros de detergente na calçada – toda semana – para amenizar os efeitos provocados pelo esgoto estourado. Mãe de 5 filhos, a dona de casa disparou: “Não conseguimos nem respirar, na nossa própria casa”.

Para Givaldo Galindo, 38, pedreiro, residente do bairro há 15 anos, o que mais o incomoda é o tratamento desigual dado. “Eles (Compesa) sabem o que os moradores aqui estão sofrendo. Há mais de 10 anos que se reclama, e nada de tomarem providência. Agora, se atrasarmos o pagamento, cortam o fornecimento de água e ainda colocam o nome da gente no SPC”.

A situação de Gleice Rosário de Oliveira, 21, moradora do cruzamento da Rua São Francisco de Assis com a Rua Cirilo Pereira da Silva parece ter consequências mais graves. Os apelos constantes junto à concessionária de abastecimento não foram suficientes para evitar que todos da sua casa fossem picados pelo aedes aegypti e que seu filho, de 2 anos, apresentasse quadro de infecção na pele. “Desde que mexeram nisso aqui (em 2001), meu senhor, se mata um rato por dia”. Concluiu em tom de desabafo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Cartão-Postal nº 1 - Drummond e o poste!

Foto: Marcelo De Marco

Drummond é daqueles poetas de cabeceira, de poesia aguda, cuja contemplação fabrica retinas de insônia. No entanto, por não ser eu de ferro, vez ou outra adormeço, cochilo nas curvas de seu texto, descarrilo e provoco acidentes. Aí, junto os pedaços, livro o flagrante e cometo o crime de começar tudo de novo.

É tão boa a sensação que provoca a releitura. É como se dissesse: – Acorda rapaz! Recomeça! E nos pomos a esgotar o inesgotável. Leitor passa a ser autor, transforma-se poeta. Adota o alheio sem pedir licença. Aquelas palavras agora também são suas.

E é o máximo!

Quase sempre leio Infância, revisito sem cerimônias; e mal acostumado, tomo o café preto da preta velha, café gostoso, café bom. O cheiro de torrado é sinestésico. Aproveito então para matar a saudade de minha avó à beira do fogão à lenha – uma maestrina regendo o seu tacho.

Poesia é isso!

O mineiro de Itabira também era homem de sete faces, de piadas, sujeito zombeteiro, gozador. Sua poética gauche inspira e nos comove como o diabo! Outro dia, vi uma cena – que só a minha cidade permite apreciar – e lembrei-me da bendita pedra de Drummond. Parafraseei, então:

No meio da Travessa 1º de Maio

No meio da Travessa 1º de Maio tem um poste
tem um poste no meio da Travessa 1º de Maio
tem um poste
no meio da Travessa 1º de Maio tem um poste

Farei tudo para esquecer esse acontecimento
inclusive, não contar mais piada de português.
Tudo para esquecer que no meio da Travessa 1º de Maio
tem um poste
tem um poste no meio da Travessa 1º de Maio
no meio da Travessa 1º de Maio tem um poste.

Serviço de utilidade pública: o poste está plantado na Travessa 1º de Maio, Alto José Leal, Vitória de Santo Antão. Venham e comprovem!