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sábado, 30 de agosto de 2014

Ação do NEGRa mira visão sexista a partir de obra de Machado de Assis


Foto: Heloísio Henrique / Divulgação

Entre os dias 27 e 29 de agosto, estudantes do ensino médio estiveram reunidos no auditório do NEGRa (Núcleo de Estudos de Gênero e Raça, da EREM Bezerros), a fim de debater sobre condutas sexistas - tomando como objeto de análise a personagem Capitu, no romance 'Dom Casmurro' - do escritor realista Machado de Assis.

A atividade multidisciplinar contou a parceria de educadores de diversas áreas do conhecimento, e - sob a orientação do professor Marcelo José, buscou medir a capacidade argumentativa de educandos da rede pública estadual de ensino, por intermédio do uso adequado dos modalizadores do discurso.

O Júri Simulado envolveu um público aproximado de 400 estudantes e se soma a outras ações desenvolvidas, desde 2013, pelo NEGRa - cuja atuação será apresentada no Seminário Estadual de Avaliação dos Núcleos de Estudos de Gênero e Enfrentamento da Violência contra a Mulher, a ocorrer entre os dias 02 e 03 de setembro, no Sesc - Garanhuns.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Geni e o Zepelim, SARAU DE CHICO. Uma lição, sobretudo, de RESPEITO


Dia desses alguém me interpelou em um dos corredores da escola, dizendo-se estar em estado de choque com as apresentações do SARAU DE CHICO, o nosso SARAU DA EREM BEZERROS.

Ao contrário do que se pudesse supor, eu fiquei feliz com aquilo. Ri por dentro um riso minúsculo e contido e cheguei à conclusão de que o SARAU DE CHICO cumpriu o seu propósito: CAUSAR ESTRANHAMENTO.

O projeto que fundamenta suas bases na TEORIA DA RECEPÇÃO de Wolfgang Iser e Hans Robert Jauss, tem como finalidade - mesmo - analisar, auscultar e perceber como se comportam leitores diante de textos que fogem ao lugar comum.

E só acordando o preconceito encrustado em nossos gestos previsíveis, é que daremos um passo à frente no combate à discriminação silenciosa, ao 'bullying' velado, a 'panelinha' que determina o que é CERTO e o que é ERRADO.

Odeio essas CERTEZAS. Gosto mesmo é da DÚVIDA que inquieta e nos leva a REFLETIR, empurra-nos para CONHECER o que lá longe se difusa, se espalha, se mistura - e que a miopia dos falsos moralistas não consegue discernir.

O SARAU DE CHICO é isso. É esse fato pretensioso, que estudantes de uma escola pública - irmanados num só propósito - o de encaminhar-nos para refletir sobre IGUALDADE, JUSTIÇA, DEMOCRACIA, DIREITO (palavras afáveis, mas tão incomuns - na prática). 

Em GENI E O ZEPELIM, o SARAU DE CHICO - a despeito de toda a teoria, apesar de todo o blablablá escorreito do ISER e do JAUSS - quer mesmo é viver com cada leitor, cada interlocutor, cada espectador, cada plateia... a sensação de RESPEITAR e de ser RESPEITADO.

Porque em algum momento na vida fomos, e se não fomos... seremos a tal GENI. Ainda que estejamos hoje assumindo o papel vil e grotesco do COMANDANTE ou da CIDADE APAVORADA. 'C'est la vie!'

Todos de PARABÉNS!

DIÁRIO DE PERNAMBUCO repercute ações do SARAU DE CHICO na cidade de BEZERROS


DIÁRIO DE PERNAMBUCO - Recife, domingo, 22 de dezembro de 2013.
Caderno: Vida Urbana. Página nº 07.

Clique na imagem para ampliar!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Estudantes abordam o 'feminino' através das canções de Chico Buarque de Hollanda


A música TERESINHA, de CHICO BUARQUE DE HOLLANDA fala dos três 'estágios' do desenvolvimento amoroso feminino. O primeiro seria o príncipe encantado - vivido, geralmente, na adolescência. O segundo - o cafajeste, aquela experiência a que todas as mulheres, em algum momento passam, e se submetem na vida. O terceiro seria a aceitação, sem fantasias, de um companheiro real, de carne e osso... e alma!

LETTÍCIA KAROLINE vê-se cercada e diante de tal dilema. LUIZ IRMISSON, FLÁVIO CAMPOS e MIQUÉIAS RAMOS concorrem para o amor de TERESINHA.

IARA LIMA interage com o público nesta performance digna de aplauso. PARABÉNS!

A história de Lily Braun, para 'chocar' e nos fazer refletir sobre o SEXISMO


LILY BRAUN, batizada com o nome Amalie von Kretschman, foi uma escritora feminista alemã. Filha do general Hans von Kretschmann, da Prússia e neta da Baronesa Jenny von Sustedt que era uma filha ilegítima do rei de Vestefália Jerónimo Bonaparte, irmão de NAPOLEÃO BONAPARTE.

Ainda cedo LILY BRAUN se casou com o professor de filosofia Georg von Gizycki, ao qual se uniram num movimento ético, que buscava estabelecer um sistema de moralidade que substituiria a influencia das religiões tradicionais. 

LILY casou-se novamente em 1896 com Heinrich BRAUN, após a morte do marido. Braun era um político social-democrata e um publicitário.

Ainda Jovem LILY filiou-se ao Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e tornou-se uma das líderes do movimento feminista alemão. Ela foi fortemente influenciada por FRIEDRICH NIETZSCHE e queria que o SPD se focasse no desenvolvimento da personalidade e da individualidade em vez da igualdade. Para ela, as mulheres deveriam ter a sua própria personalidade e não ser apenas consideradas como (futuras) mães e esposas. Ela lutava por liberdade econômica para as mulheres e a abolição do casamento legal.

CHICO BUARQUE, perspicaz como só ele, construiu um enredo em A HISTÓRIA DE LILY BRAUN que, para quem não conhece a história - de fato - da moça, perca-se nas sinuosidades semânticas dessa poesia e tenha alguma dificuldade de encontrar coerência entre a canção e a biografia da ativista.

CHICO, na verdade, mostra como consegue entender bem o gênero feminino. Descrevendo dramas, anseios e a trepidez por que passam as mulheres em nossa cultura. Em A HISTÓRIA DE LILY BRAUN ele trata, de modo singular, o 'AMOR QUIMÉRICO' contado em romances, nas telas de cinema e nas historietas bem contadas, como é bem essa coisa de 'promessa de amor' para elas. Aquela mesma que tem seu começo, meio e fim. Com um começo brilhante e cheio de expectativas, um meio repleto de trivialidades e um fim como o não contado: aquele em que se acaba o encanto e todos vão viver suas vidas prosaicas.

Não desanima, mostra uma realidade de uma promessa de amor mais presente na arte do que na vida real. Linda a letra, com todo o encanto de mostrar a vida como ela é, bem ao gosto e medida desse mítico poeta da canção brasileira.

MIQUÉIAS RAMOS e SINTHIA PONTES personificaram bem o que entenderam nos momentos de leitura. Extraordinária performance de ambos, completada com a interpretação de MORGANNA BERNARDO.

Sou suspeito!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Olhos nos olhos, SARAU DE CHICO

 
Na voz da estudante Iara Lima, a canção 'OLHOS NOS OLHOS', do poeta CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, ganha roupagem através da dança contemporânea de Geyssiele Torres e Jonatas Luan.
 
A jornalista Margarida Azevedo, em sua coluna (Educ@ção, do JORNAL DO COMMERCIO, edição de 18 de dezembro), publicou nota sobre a apresentação do SARAU DE CHICO, no CEMAIC (Santo Antônio, Bezerros), na tarde de hoje.
 
OLHOS NOS OLHOS é uma das canções a serem executadas.

Pedro pedreiro, SARAU DE CHICO



O SARAU DE CHICO constitue-se como a primeira ação do NEGRa - Núcleo de Estudos de Gênero e Raça da EREM Bezerros. A canção 'PEDRO PEDREIRO', do poeta CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, e interpretada pela estudante MORGANNA BERNARDO - em 30 de outubro de 2013, retrata a melancolia de Pedro, que de tão acomodado, vê a vida escorrer por entre os dedos e passar.

Coordenado pelo professor MARCELO JOSÉ (Códigos e Linguagens), o projeto fundamenta suas bases na TEORIA DA RECEPÇÃO de Wolfgang Iser e Hans Robert Jauss - estudiosos que analisam a interação entre o texto literário e o leitor.

SARAU DE CHICO é fruto de trabalho de pós-graduação lato sensu (A CANÇÃO COMO PRÁTICA SOCIAL DE LEITURA NA ESCOLA: CHICO BUARQUE DE HOLLANDA), desenvolvido, entre os anos de 2005 e 2007, na UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE), sob a orientação do prof. Dr. Aldo Lima.

Em sua Versão nº 01 (2013), o SARAU DE CHICO apresenta canções que tematizam questões como VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER, SEXISMO e PRECONCEITOS RACIAL e SEXUAL. Como atividade do NEGRa, pretende-se como ação itinerante e já se apresentou em feiras culturais, ações socioeducativas e eventos voltados a fazer refletir sobre LEITURA LITERÁRIA e DIREITOS HUMANOS.


MAIORES INFORMAÇÕES: marceloj@educacao.pe.gov.br



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O Recife

 Noite de Maracatus no Recife Antigo, Carnaval 2012 (Foto: Cláudia Cristine)
                                          
                           por Marcelo De Marco

O Recife, durante o Carnaval
é festa, é música, é luz, é flauta, é bombo

O Recife, durante o Carnaval
é poesia, é salto, é frevo, é riso, é canto

O Recife, durante o Carnaval
de becos e ruelas, é praça para os namorados

O Recife, durante o Carnaval
é tudo, é menos, é mais correndo ladeira a cima e a baixo

Mas ao cair das cinzas surge o meu melhor Recife:
pobre, sujo, triste, sozinho, feiamente desmascarado

E é aí que sei o quanto, por ele, sou apaixonado.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Indulto de Natal

                        por Marcelo De Marco

Hoje, embora Natal e noite estrelada
uma mulher está triste

De sua pálpebra borrada de rímel não escorre lágrima
apenas sumo de vingança

Do vazio de sua casa, do cemitério de sua vida
se põe a arar o seu legado

Rega gravetos em terreno agreste
semeia pedras difamando o azul ensolarado

Fosse outra, os pés cortados e seus joanetes
não aguentariam tamanho peso na consciência

Irascível, porém, ela continua aos quatro ventos
a defenestrar condutas e a esmigalhar a honra

Corajosa, já não respeita os semáforos
e aceita os riscos de derrapar na curva

Infeliz, com o sumiço de seu amo
agora parece perder também o respeito dos filhos

E num sorrir de apatia e tártaro
bebe sua anemia aos goles, perigoso veneno

Atravessa o dia sem a alegria da primavera
e dedica-se ao seu grandessíssimo ofício, do qual se orgulha: ser infeliz

Então, prisioneira de sua própria índole
aos poucos se enforca na língua que aninha o pescoço, seu colar de pérolas
 

Até que o Menino Deus se compadece
e resolve perdoar o coração excêntrico com um indulto eterno de Natal.

sábado, 3 de setembro de 2011

Severina

Assisti no último dia 31/08, na Secretaria de Educação do Estado, à mesa redonda com Miguel Falcão. Tratou-se de animação a partir dos quadrinhos criados pelo cartunista - numa transposição de linguagem de Morte e Vida Severina, do também pernambucano João Cabral. O belo projeto faz parte da grade de programação da TV Escola.

Em pouco menos de 55 minutos, a animação dá vida ao texto original – sem nenhuma alteração – de João Cabral de Melo Neto, em desenhos feitos a bico de pena. Com o uso de tecnologia 3D (três dimensões), a animação é resultado de uma parceria com a Fundação Joaquim Nabuco. O custo... menos de 1/2 milhão de Reais. Bagatela, quando conferimos do trabalho.

Escrito entre 1954 e 55, o poema, considerado um marco na literatura nacional, narra a trajetória de um migrante nordestino até a cidade de Recife, ainda hoje a mais próspera da região. Com fortes elementos de crítica social, o texto já foi tema de teatro, música, filme, seriado de TV, de história em quadrinhos (leia-se Miguel), e agora, animação.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Terry Eagleaton na cabeceira


Impressionado com a forma palatável e didática de Terry Eagleton. Teoria Literária - uma introdução se trata de manual imprescindível a todos que amam a boa Literatura.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

É osso


Estou num vale de ossos secos - diante dos quadros herméticos de Avalovara. Aqui, então, ponho-me a amealhar repertório a fim de acessar a obra desse mestre da literatura experimental.

Juro degustar a carne!

domingo, 29 de maio de 2011

Percurso Livre, com Machado de Assis tem até literatura de cordel em Barra de Guabiraba


Para o prof. José Manoel Neto, da Escola Leobaldo Soares - em Barra de Guabiraba, não basta fazer o feijão com arroz. Em suas aulas, tal como um chefe de cozinha, ele faz com os ingredientes mais simples pratos sofisticados. Não escondemos, enquanto Coordenação Regional, a nossa alegria em termos um profissional tão dedicado. É do desprendimento de educadores como ele que nos orgulhamos. É o trabalho parceiro entre uma supervisão pedagógica criativa e uma gestão escolar presente que nos ajuda a tornar possível o sonho daqueles que desejam se sentir incluídos socialmente. Parabéns!!!

Confira abaixo o depoimento do prof. Neto:

"Como professor, me sinto lisonjeado pela oportunidade que o Travessia - Médio está me dando, de vivenciar obras de eternos escritores da nossa Literatura Brasileira, tal como Machado de Assis. É muito gratificante observar nos últimos dias de preparação a participação e o empenho dos alunos, a fim de fazer acontecer este momento de arte e cultura na nossa escola. Mas o objetivo maior foi atingido: encher os olhos de emoção de diversos alunos e professores, e também da nossa supervisora pedagógica Consuelo Melo, assim como do diretor adjunto, o prof. Daniel Nascimento."

Confira o slide com imagens do Percurso Livre que teve como foco a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis.
 

 

A obra Dom Casmurro, do carioca Machado de Assis, inspirou - também - o aluno José Ricardo de Lima, 28. Confira o trabalho de nosso poeta popular guabirabense.


Machado de Assis

Hoje rapaz de grande fama
Moço forte, um guerreiro
Vai pedir vossa licença
Prá contar seu enredo
Machadinho como era chamado
Um ícone com mui segredo.

Nascido no Rio de Janeiro
Em 1839
Morava com seu pai Francisco
Criança de origem pobre
Dura foi a sua infância
Mesmo assim mostrai ser nobre.

Grande Machado de Assis!
Dramaturgo e cronista
Foi um poeta, e grande crítico
Romancista e jornalista
Era de tudo um pouco
Até mesmo um ensaísta

Em 1851
Seu pai veio a falecer
Sendo uma Criança humilde
Até doce foi vender
Na escola São Cristovam
Pra poder sobreviver
 
Em 1855
Veja só que coisa bela
Inspira-se em um trabalho
Que foi o poema “Ela”
Foi sua primeira obra
Foi coisa de dar inveja

A livraria Paula Brito
Estava a escolher
Novos talentos da época
Para livraria crescer
Machado com sua obra
Fez a cultura poética alvorecer

Seu tempo foi muito fértil
Aos leitores não deu desgosto
Nasceu em l939
E morreu em 1908
Na cidade Carioca
Onde viveu com muito gosto.

A Cidade Maravilhosa
Escolhida pelo escritor
Tem seu lindo Corcovado
Com o Cristo Redentor
Suas praias e carnavais
Onde ele se inspirou.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ler é Dez!


A supervisora do Travessia - Médio, Virgínia Núria, da Escola Estadual Frei Epifânio, no município de São Joaquim do Monte, trouxe à tona projeto de incentivo à leitura desenvolvido pelo prof. Paulymelque Benício (Humanas), em articulação com a prof.ª Jailma Venceslau (Exatas). Criativa, a ideia é a de dar um basta àquela velha história de que nunca encontramos tempo para apreciar os livros.

De acordo com o prof. Paulymelque, nas rodas de conversa, em sala de aula, os alunos justificavam sempre não ter o hábito da leitura por pura e exclusiva falta de tempo. Foi aí que ele propôs uma rotina diária de leitura a estudantes fora de faixa, em sua grande maioria - trabalhadores.

O Projeto propõe a implementação da suspensão de toda atividade escolar por 10 minutos, a fim de que estudantes se dediquem ao prazer dos livros, como uma atividade permanente na rotina da escola. A ação didático-pedagógica que foi apresentada na sessão Travessia em Foco, estimula e 'valida' diversas leituras: de revistas, quadrinhos e gibis, aos paradidáticos prescritos no percurso livre.

Excelente ideia, prof.º Paulymelque!

domingo, 29 de agosto de 2010

Nossa Língua Brasileira!


Vez ou outra acuso deslizes ortográficos nas matérias do Diário de Pernambuco. Mas entendo que não é fácil dar conta de detalhes. No entanto, dessa vez não me contive. Folheando a edição 007/2009 flagrei um tropeço que carece ser mencionado - para efeitos didáticos, e também porque noto que em outras modalidades midiáticas, inadvertidamente, é fato que recorre.

Trata-se do equívoco semântico que muitos fazem entre CONSUMIÇÃO e CONSUMAÇÃO. Aliás, o jornalista Edilson Segundo, que é quem assina a matéria - tanto na chamada de capa, quanto no corpo de seu texto (no caderno VIDA URBANA) - parece ignorar a existência do primeiro verbete.

Restou a mim, entretanto, elogiar a conveniência do texto e a sua função social ao divulgar as ações do Procon/Recife, que a todo custo, tenta dar cabo, extinguir, encerrar... CONSUMAR (daí CONSUMAÇÃO!) a sede daqueles que comercializam na areia de Boa Viagem, impondo um "piso" ao CONSUMO - a tão abominável e famigerada CONSUMIÇÃO MÍNIMA.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Seu Manoel: uma 'travessia' que justifica o papel socializador da escola

 

Acompanhe a história de Seu Manoel e se emocione. Falar aqui sobre ele, é - sem o menor exagero - tarefa árdua, embaraçosa. As imagens e o seu rico depoimento falam por si sós; delatam a sua admirável biografia, com o jeito brejeiro de quem se acostumou à vida simples.

Aluno do Programa Travessia na Escola Estadual Getúlio de Andrade - em Bezerros, Seu Manoel não esconde de ninguém que, durante 60 anos, abdicou do direito de estudar para sustentar a família. Anos difíceis... relembra ele. 

Hoje, conta com orgulho como se deixou seduzir pela leitura e pelo método aprazível das aulas no Programa Travessia - para ele, um direito; e até parafraseia o educador Paulo Freire - segundo ele, um exemplo de amor aos estudos. 

Tanto tempo se sentido excluído e vendo a sua cidadania cassada, Seu Manoel é - agora, também - uma espécie de farol àqueles que acreditam no papel da escola, que - não tenhamos dúvida - é o de, acima de tudo, pragmatizar o processo espinhoso, mas factível, da socialização, da inclusão.

Bem, àqueles que ainda não acreditam... perguntem a Seu Manoel! Ele é testemunha.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Clayton Garcia: três anos de saudade!

Foto: Divulgação / Arquivo


O pôr do sol da tarde de 08 de dezembro de 2006 trouxe uma notícia desoladora: Clayton do Nascimento Garcia – sujeito de particular inteligência, poeta e – principalmente – amigo de infância havia sofrido grave acidente que resultou em morte estúpida, horrível, inexplicável – em seu local de trabalho.


Lembro-me de outra tarde, a de 27 de dezembro de 1992, quando vim – juntamente com os meus avós – morar em Vitória de Santo Antão (PE).
Clayton com os seus pais (Virgílio e VivaGarcia) é que deram o primeiro aceno de boas-vindas. 9 meses mais velho que eu, Clayton era introspectivo, uma criatura sitiada.


Recordo-me também que enquanto eu me dava ao luxo de traquinar pelos arredores da igreja, na casa de farinha, na água doce do rio e nos canaviais de
Urucu (hoje, Engenho Veneza), ele – ainda uma criança – era obrigado a, com o estômago vazio, plantar os joelhos para pedir a Deus dias melhores.


Calça rasgada e coronha, sandálias gastas. Perto dele, eu –
suburbano brejeiro – me sentia rei. A infância pobre e o olhar introvertido escondiam uma alma irrequieta, criativa, o que acabou por se revelar em seus primeiros escritos, influenciados pela poética dos textos de Legião Urbana, Kurt Cobain, The Offspring... Titãs.


A leitura e a música eram seu passatempo. Com amigos, da empresa em que trabalhava, formou uma banda chamada “
Loverdose”. Nas horas vagas dava aula de violão e ouvia Red Hot Chilli Peppers. Escreveu crônicas e poemetos. Plantou árvores. Transferiu seu legado a Gabriel – único filho, hoje com 6 anos. Divertiu-se.


Em 2001 fizemos um pacto –
eu, ele e Maria Leite (sua esposa) – escolheríamos, de modo aleatório, temáticas várias para produzirmos, periodicamente, textos em verso. Ainda guardo muita coisa boa daquela época. Mas aí... Clayton se foi e dele nunca mais tive notícias, embora sua poesia viceje, pulse e, em nossos corações, viva!


Poema no mural



Clayton Garcia



Onde está a poesia?

A poesia pula o muro

Corre, corre, noite e dia.



A poesia está na fome

Da criança de rua,

No mendigo que há muito não come.



A poesia está na essência do nada

No tiroteio da esquina

Na triste poeira da estrada.



Lá na fila do aposentado

Na menina que adoece

no porquê desmotivado.



Por que tanto procurar?
Quê há de tanto esconder?
Um dia há de aparecer!



Essa eterna vadia
Corre noite, corre dia
Pula o muro, a poesia.



In: Pingos de poesia
Poema de 1996



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Poema para outonos



Cover power de Cristo



Por onde passo deixo o meu rastro


e se piso a seco deixo-o
marcado na calçada viva do passado;


meu dístico é essa maldita sombra
que persegue cada letra inerte que realço
no exercício inócuo de minha persistência:


se improviso palavras,
indícios as copiam
com alienígena mimese


e traçam, e passam



vento, vulto, sombra, ela:
réstia, para me completar


no mudar que muda cada mudança minha
no sumir que some até o matinar


sombra falsa – essa, a do humano
que o nega até num eclipse solar


jamais porei a mão sobre os enfermos
não deixarei o cálice chegar,


nunca amarei uma mulher apenas,
não deixarei o judas me beijar


In: Resmungos
Poema de 1998



domingo, 8 de novembro de 2009

Letícia Spiller em carne, poesia e "osso"

PURA POESIA: clique sobre a foto de Dario
Zalis
/ Isto É e saiba o que eu estou dizendo



Eu não sabia que Letícia Spiller era poeta; o que sempre soube é que essa loira estúpida era musa. Entretanto, curioso que sou, vi algo da ex-paquita de Xuxa que nem todos ainda conhecem. Não me refiro às suas pernas que despertam gula; aponto mesmo é para os seus versos molhados, indecifráveis e tenros.


A atriz, de TPM forte, desnuda-se para mostrar mais do que um belo corpo com pintinhas douradas. Letícia grita, [ual], e expõe a alma. Este blog - como sempre, oportunista - colheu o seu grito. E em seu ofício, distribui agora, portanto, em ritmo lento e preciso, Spiller - iguaria exótica, mulher-poema, prato a ser servido:


"Nem sempre meus olhos contemplam aquilo que desejam ver, o que lhes apraz o coração
A contemplação traz a dor nua e crua, sem fuga para o êxtase
Êxito? Será esse o perdão? Ver a si mesmo naquilo que pensamos que não somos?
O sono vem de sementes mal plantadas, obsessões.... abduzidos, iludidos, seguimos...
Mais cedo ou mais tarde, a dor nua e crua , sem fuga para o êxtase, o grito estridente do falcão, o abismo, a luz absoluta, a treva absoluta ou seja lá o que for, nos fará enxergar sem olhos, sem subterfúgios para a alma, fugas... não teremos nunca escolha diante do crucial, da crueza da vida;
Somos o que somos adormecidos ou acordados plenos ou aturdidos dispersos ou abraçados"


Um POST SCRIPTUM (aqui para nós):
entender mesmo..., eu não entendi foi nada. Mas, mesmo assim, submeto-me a fazer o sacrifício de - dessa bela sopa de quartel (100 gramas de carne para 5 litros de água) - roer até o osso.


Tudo em nome do manifesto antropofágico de Oswald.



sábado, 17 de outubro de 2009

Poeminha no escuro

Abajur de Néon / Reprodução

Amour de blackout

Lábios se encontram
e fazem beijos, mel, maçã:
cócegas no céu da boca
ao prazer do dorso...

que se escapa

Aí, fonemas pálidos
intensificam-se no eclipse

Ao pé do ouvido:
sussurros, afagos, juras criptônimas

Entre cortinas anônimas
jaz amour de blackout

E às trevas claras da lua
- entre os galhos noturnos das árvores -

pássaros cantam, tripudiam
retiram seus bicos postiços

fazem amor, à noite fria

In: Psius de pássaro
Poema de 2001