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sábado, 27 de setembro de 2014

Sarau de Chico, no Teatro Santa Isabel


Atualmente em sua 7ª edição, o Prêmio Naíde Teodósio de Estudos de Gênero - promovido pelo Governo do Estado de Pernambuco, numa ação da Secretaria da Mulher - realizará, no Teatro Santa Isabel, ato solene de premiação de ações pedagógicas, redações e artigos científicos.

A cerimônia contará com a participação de estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio de Bezerros, que - por meio do NEGRa (Núcleo de Estudos de Gênero e Raça) realizam estudo de gênero a partir das canções de Chico Buarque, com o Sarau de Chico.

Clique aqui e acesse o canal do Sarau de Chico, no You Tube!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Revista trará o SARAU DE CHICO como um dos destaques no combate ao preconceito

Foto: Divulgação / SARAU DE CHICO

A Secretaria da Mulher está organizando revista sobre as ações que tem por objetivo o fortalecimento da consciência crítica a respeito da igualdade de gênero em nosso Estado. Esta semana, fui procurado pela agência que assessora a parte de comunicação da pasta da Drª Cristina Buarque, a fim de que pudesse conceder entrevista sobre as atividades implementadas no NEGRa - Núcleo de Estudos de Gênero e Raça da EREM Bezerros, assim como sobre o trabalho desenvolvido pelo SARAU DE CHICO. Confira!

Oficina Comunicação - O que é o NEGRa?
Marcelo José - O NEGRa, Núcleo de Estudos de Gênero e Raça da Escola de Referência em Ensino Médio de Bezerros é a unidade promotora de ações de formação, pesquisa e extensão, objetivando o desenvolvimento de práxis comprometidas com a transformação social, a partir da promoção dos direitos da mulher, do negro, do indígena e da igualdade entre os sexos. Foi formalmente instituído em nossa escola no ano de 2012, através de um protocolo de intenções - numa parceria entre a Secretaria da Mulher do Estado de Pernambuco e a Secretaria Executiva de Educação Profissional. O SARAU DE CHICO representa - em 30 de outubro de 2013 - o marco que introduziu, em nossa unidade escolar, as ações do NEGRa.

Oficina Comunicação - Como surgiu a ideia de criar o projeto 'Sarau de Chico'?
Marcelo José - O SARAU DE CHICO é fruto de pesquisa e análise de campo que ajudou a subsidiar trabalho monográfico apresentado ao Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, visando à obtenção do título de especialista em Linguística e Ensino do Português (2005 – 2007), sob a orientação do Prof. Dr. Aldo José Rodrigues de Lima.

Oficina Comunicação - Por que usar as músicas de Chico Buarque?
Marcelo José - Na condição de coordenador do Núcleo de Estudos de Gênero e Raça (NEGRa), na EREM Bezerros, e debruçado sobre o trabalho monográfico que teve como foco em seu primeiro momento a 'leitura', apoiamo-nos no cancioneiro de Chico Buarque de Hollanda, por entender ser a sua música um instrumento eficaz para a reflexão sobre o conceito de gênero, assim como sobre a relação entre natureza e cultura.

Oficina Comunicação - Qual o objetivo do projeto?
Marcelo José - Esta ação analisa a interação de estudantes do Ensino Médio de uma escola pública da rede estadual (EREM Bezerros) com as canções de Chico Buarque, abordando – necessariamente – temáticas propostas pela Secretaria da Mulher do Governo do Estado de Pernambuco, propondo-se a apresentar caminhos em face da leitura literária na escola, assim como estimular e fortalecer a produção de consciência crítica sobre as relações de gênero, contribuindo para a promoção dos direitos das mulheres em sua diversidade.

Oficina Comunicação - Desde quando o projeto existe?
Marcelo José - Entre os anos 2005 e 2007, por ocasião do curso de pós-graduação (lato sensu) LINGUÍSTICA E ENSINO DO PORTUGUÊS, na UFPE, defendi o seguinte projeto monográfico: A CANÇÃO COMO PRÁTICA SOCIAL DE LEITURA NA ESCOLA: CHICO BUARQUE DE HOLLANDA. Desde então, já se vão 03 saraus por onde atuei enquanto professor de Língua Portuguesa (RECITAL LÍTERO-MUSICAL DO SESC - 2006, SARAU DA GUIOMAR - 2008 e mais recentemente em 2013, com o SARAU DE CHICO).

Oficina Comunicação - Onde acontecem as apresentações?
Marcelo José - Já realizamos apresentações para um público estimado de 2 mil pessoas. Estudantes, educadores, pais e responsáveis são - em grande maioria - os expectadores do SARAU DE CHICO. Universidades, feiras literárias e formações para professores serviram, até aqui, de espaço para as performances de nosso grupo.

Oficina Comunicação - Quantas pessoas participam?
Marcelo José - No SARAU a participação se deu até agora por adesão. E a ideia é essa. Não cabe imposição à leitura. É, portanto, o que temos buscado instituir: estimulando o 'paladar' dos nossos estudantes para um letramento literário que proporcione alegria, prazer e, a reboque disto, reflexão. Hoje, alguns dos nossos integrantes já não estão mais na escola. Concluíram o Ensino Médio. Mas asseguro que o SARAU serviu de academia ao exercício de, diretamente 50 jovens muito talentosos, que do teclado ao violão, do pandeiro ao violino, do clarinete ao saxofone intuíram em nossa comunidade escolar o gosto pela poesia de Chico.

Oficina Comunicação - Como foi a receptividade do projeto?
Marcelo José - Em tempos de canções cujo enredo é "vou dá-lhe de cano de ferro" e "rapariga é você", apresentar a poesia de CHICO BUARQUE pode parecer insulto. E num primeiro momento até pareceu. Teve quem, em nome de um ecletismo sem sentido, olhasse para o projeto com olhar de soslaio. Talvez continue a olhar. É legítimo e democrático que tenha liberdade para assim se comportar. Mas é tarefa do educador abrir caminhos diversos do lugar comum, sobretudo e em especial aqueles profissionais que têm como encargo a tarefa de estimular a leitura de textos e o compromisso de fazer com que estudantes consigam interpretar o mundo. É fundamentado, pois, na TEORIA DA RECEPÇÃO de Wolfgang Iser e Hans Robert Jauss - estudiosos que analisam a interação entre o texto literário e o leitor, que a proposta de formação encampada pelo SARAU DE CHICO se propõe.

Oficina Comunicação - Ele é apresentado apenas em Bezerros?
Marcelo José - Não. É uma atividade formativa que se pretende como ação itinerante. A minha ideia é a de levar esta proposta para o maior número de pessoas. Atualmente, estamos envolvidos em uma proposta que possibilite conexões entre o nosso calendário de ações e a programação de outros núcleos. A novidade é que os nossos estudantes, em particular os egressos e que já alcançaram a maioridade, possam interagir com estudantes e pesquisadores de outros estabelecimentos de ensino. Como atuo, também, no Ensino Superior e integro a equipe que coordena o Núcleo de Estudos de Gênero e Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Faculdade Escritor Osman Lins (Facol), em Vitória de Santo Antão, tenho em mente consolidar o intercâmbio e a troca de experiências com êxito. Suponho que será enriquecedor e que a nossa sociedade civil terá à sua disposição atividades que promovam a valorização e o respeito para com todos.

Oficina Comunicação - Você é o coordenador do projeto?
Marcelo José - Sim. Na verdade, se este é o nome, diria que sim. Represento a comunidade escolar, através do NEGRa (Núcleo de Estudos de Gênero e Raça da EREM Bezerros) nas formações realizadas no âmbito da Secretaria da Mulher do Estado de Pernambuco. Em parceria com educandos e educadores, buscamos a materialização das teorias - nesses encontros - fomentadas. Quanto ao SARAU DE CHICO, por ser objeto meu de estudo já há alguns anos, coloquei-o em pauta e fizemos dele nossa primeira ação do núcleo, em nossa escola. Mas para isso acontecer, foi necessário - além de toda energia dos mais de 50 estudantes diretamente envolvidos - a colaboração de nossa valorosa equipe de professores, com destaque especial para Adalberto Monteiro, Antônio Simões, Raimundo Silvano, Josemeri Gomes, Rosimere Lima, Missimere Carvalho, Dalka Carvalho, Débora Bruce, Djair Batista - entre outros. É preciso evidenciar, aqui, também, o apoio da equipe gestora, por intermédio das professoras Êda Cabral e Aparecida Xavier.

Oficina Comunicação - O projeto é voltado apenas para o público feminino?
Marcelo José - Nosso objetivo é contribuir para a prática de condutas sociais que enfrentem a discriminação, a violência, o preconceito. Deste modo, é uma escolha que não permite nem cabe segregar por gênero.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Geni e o Zepelim, SARAU DE CHICO. Uma lição, sobretudo, de RESPEITO


Dia desses alguém me interpelou em um dos corredores da escola, dizendo-se estar em estado de choque com as apresentações do SARAU DE CHICO, o nosso SARAU DA EREM BEZERROS.

Ao contrário do que se pudesse supor, eu fiquei feliz com aquilo. Ri por dentro um riso minúsculo e contido e cheguei à conclusão de que o SARAU DE CHICO cumpriu o seu propósito: CAUSAR ESTRANHAMENTO.

O projeto que fundamenta suas bases na TEORIA DA RECEPÇÃO de Wolfgang Iser e Hans Robert Jauss, tem como finalidade - mesmo - analisar, auscultar e perceber como se comportam leitores diante de textos que fogem ao lugar comum.

E só acordando o preconceito encrustado em nossos gestos previsíveis, é que daremos um passo à frente no combate à discriminação silenciosa, ao 'bullying' velado, a 'panelinha' que determina o que é CERTO e o que é ERRADO.

Odeio essas CERTEZAS. Gosto mesmo é da DÚVIDA que inquieta e nos leva a REFLETIR, empurra-nos para CONHECER o que lá longe se difusa, se espalha, se mistura - e que a miopia dos falsos moralistas não consegue discernir.

O SARAU DE CHICO é isso. É esse fato pretensioso, que estudantes de uma escola pública - irmanados num só propósito - o de encaminhar-nos para refletir sobre IGUALDADE, JUSTIÇA, DEMOCRACIA, DIREITO (palavras afáveis, mas tão incomuns - na prática). 

Em GENI E O ZEPELIM, o SARAU DE CHICO - a despeito de toda a teoria, apesar de todo o blablablá escorreito do ISER e do JAUSS - quer mesmo é viver com cada leitor, cada interlocutor, cada espectador, cada plateia... a sensação de RESPEITAR e de ser RESPEITADO.

Porque em algum momento na vida fomos, e se não fomos... seremos a tal GENI. Ainda que estejamos hoje assumindo o papel vil e grotesco do COMANDANTE ou da CIDADE APAVORADA. 'C'est la vie!'

Todos de PARABÉNS!

O corpo como trunfo para a conquista do homem amado, em O MEU AMOR


A primeira imagem que me vem à cabeça é da Ópera do Malandro: Marieta Severo (Teresinha) contracenando com Elba Ramalho (Lúcia) , disputando entre si, o amor do personagem vivido por Otávio Augusto (Max).

Pois é.

A história retratada por essa letra mostra duas mulheres procurando publicizar qual delas seria a mais capaz de corresponder os caprichos do 'amado', utilizando-se de um único instrumento – o próprio corpo.

Este é o desafio lançado. Duas mulheres 'presas' à satisfação corporal/sexual proporcionada por este homem que pode se dar ao luxo de optar.

Luxúria acesa! O corpo como moeda de barganha. A mulher como objeto! Curtam MORGANNA BERNARDO e IAGO FIDELES nessa atuação primorosa.

DIÁRIO DE PERNAMBUCO repercute ações do SARAU DE CHICO na cidade de BEZERROS


DIÁRIO DE PERNAMBUCO - Recife, domingo, 22 de dezembro de 2013.
Caderno: Vida Urbana. Página nº 07.

Clique na imagem para ampliar!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Estudantes abordam o 'feminino' através das canções de Chico Buarque de Hollanda


A música TERESINHA, de CHICO BUARQUE DE HOLLANDA fala dos três 'estágios' do desenvolvimento amoroso feminino. O primeiro seria o príncipe encantado - vivido, geralmente, na adolescência. O segundo - o cafajeste, aquela experiência a que todas as mulheres, em algum momento passam, e se submetem na vida. O terceiro seria a aceitação, sem fantasias, de um companheiro real, de carne e osso... e alma!

LETTÍCIA KAROLINE vê-se cercada e diante de tal dilema. LUIZ IRMISSON, FLÁVIO CAMPOS e MIQUÉIAS RAMOS concorrem para o amor de TERESINHA.

IARA LIMA interage com o público nesta performance digna de aplauso. PARABÉNS!

A história de Lily Braun, para 'chocar' e nos fazer refletir sobre o SEXISMO


LILY BRAUN, batizada com o nome Amalie von Kretschman, foi uma escritora feminista alemã. Filha do general Hans von Kretschmann, da Prússia e neta da Baronesa Jenny von Sustedt que era uma filha ilegítima do rei de Vestefália Jerónimo Bonaparte, irmão de NAPOLEÃO BONAPARTE.

Ainda cedo LILY BRAUN se casou com o professor de filosofia Georg von Gizycki, ao qual se uniram num movimento ético, que buscava estabelecer um sistema de moralidade que substituiria a influencia das religiões tradicionais. 

LILY casou-se novamente em 1896 com Heinrich BRAUN, após a morte do marido. Braun era um político social-democrata e um publicitário.

Ainda Jovem LILY filiou-se ao Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e tornou-se uma das líderes do movimento feminista alemão. Ela foi fortemente influenciada por FRIEDRICH NIETZSCHE e queria que o SPD se focasse no desenvolvimento da personalidade e da individualidade em vez da igualdade. Para ela, as mulheres deveriam ter a sua própria personalidade e não ser apenas consideradas como (futuras) mães e esposas. Ela lutava por liberdade econômica para as mulheres e a abolição do casamento legal.

CHICO BUARQUE, perspicaz como só ele, construiu um enredo em A HISTÓRIA DE LILY BRAUN que, para quem não conhece a história - de fato - da moça, perca-se nas sinuosidades semânticas dessa poesia e tenha alguma dificuldade de encontrar coerência entre a canção e a biografia da ativista.

CHICO, na verdade, mostra como consegue entender bem o gênero feminino. Descrevendo dramas, anseios e a trepidez por que passam as mulheres em nossa cultura. Em A HISTÓRIA DE LILY BRAUN ele trata, de modo singular, o 'AMOR QUIMÉRICO' contado em romances, nas telas de cinema e nas historietas bem contadas, como é bem essa coisa de 'promessa de amor' para elas. Aquela mesma que tem seu começo, meio e fim. Com um começo brilhante e cheio de expectativas, um meio repleto de trivialidades e um fim como o não contado: aquele em que se acaba o encanto e todos vão viver suas vidas prosaicas.

Não desanima, mostra uma realidade de uma promessa de amor mais presente na arte do que na vida real. Linda a letra, com todo o encanto de mostrar a vida como ela é, bem ao gosto e medida desse mítico poeta da canção brasileira.

MIQUÉIAS RAMOS e SINTHIA PONTES personificaram bem o que entenderam nos momentos de leitura. Extraordinária performance de ambos, completada com a interpretação de MORGANNA BERNARDO.

Sou suspeito!